Exmo. Senhor Alcides Vieira Foi com consternação que visionámos a peça que a SIC transmitiu no passado dia 12 de Janeiro sobre a mais recente polémica em Israel – a decisão do Supremo Tribunal de Israel em restringir a aquisição da cidadania ou residência permanente a palestinianos (as) casados (as) com cidadãos israelitas – e gostaríamos de ver esclarecidas algumas questões que, por certo, induziram em erro os telespetadores. A jornalista diz «Judeus» ao invés de «Israelitas», levando a que seja feita tabula rasa do fato de Israel ser um país onde se incluem 20% de árabes – uma minoria maior do que em qualquer país europeu, nomeadamente Portugal; e de o Supremo Tribunal Israelita ser, nacional e internacionalmente, reconhecido como o bastião dos direitos civis e humanos (inclusivé dos palestinianos) na democracia do país. Seria também útil informar as pessoas sobre as razões que levaram à tomada desta decisão. Como a jornalista refere, e muito bem, a questão não é nova. Foi introduzida pelo Ministério do Interior (homólogo do Português da Administração Interna) a 1 de Abril de 2002 no seguimento de um ataque suicida num restaurante em Haifa que matou 16 pessoas e feriu outras 40. Quem perpetrou o ataque foi um palestiniano casado com uma israelita. Tinha o cartão azul garante da cidadania israelita e era também membro do Hamas. Na realidade, desde os Acordos de Oslo cerca de 130.000 palestinianos exerceram o seu direito de adquirir cidadania ou residência Israelita através da figura da reunificação familiar. Só entre 2001 e 2010 tivemos 54 casos em que palestinianos a quem havia sido atribuída cidadania israelita através do seu casamento (ou mesmo do dos seus pais) estiveram envolvidos em atividades terroristas. Cremos ser razoável ter em linha de conta que membros de um povo com o qual o Estado de Israel tem presentemente uma situação de conflito acarretam potencialmente um risco elevado para a sociedade israelita, pelo que as políticas de emigração têm de contar com variáveis que privilegiam a segurança dos seus cidadãos e não só as de teor económico. No futuro, gostaríamos de ver transmitidos trabalhos mais rigorosos acerca de Israel, que respeitem a busca da verdade (que idealmente orienta os trabalhos jornalísticos) e não de meias-verdades assentes nas opiniões pessoais de jornalistas. Teremos, aliás, o maior prazer em fornecer informação factual, o que certamente vos interessará. Melhores Cumprimentos, Ehud Gol Embaixador de Israel
|